(
Maria Dolores)

Torno a ver, nos meus dias de criança, 
O teu regaço, a lamparina acesa, 
O pequeno lençol que trago na lembrança, 
A oração da manhã e o pão à mesa... 

Varro o chão, a fitar-te as mãos escravas, 
Afagando o fogão, de momento a momento... 
A roupa e o batedouro em que cantavas 
Para esquecer o próprio sofrimento... 

Depois, era o tinir da caçarola, 
Aumentando a despesa no armazém... 
Vestias-me de renda para a escola 
E nunca me lembrei de ofertar-te um vintém. 

Cresci... A mocidade me requesta, 
Ante a cidade de qualquer maneira... 
Parti... – eu era a rosa para a festa, 
Ficaste... – eras a rústica roseira. 

De tudo vi na estrada grande e nova, 
As flores do prazer, o brilho, a fama, 
A malícia dourada e os suplícios da prova 
Marcando a pranto e fel os passos de quem ama... 

Hoje, volta a buscar-te, mãe querida, 
Dá-me de tua paz sem ilusão, 
Guarda-me em ti, amor de minha vida, 
Alma querida de meu coração.
 

Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, 
em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, na noite de 
9 de março de 1985, em Uberaba, Minas Gerais


    

 
 

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